O Bom do Melhor

dez 26, 2012 by

Quando lembro que quase perdi neste ano as duas pessoas que mais amo no mundo – minha esposa e filha – sinto um calafrio imediato despertando minha apatia. Reclamar do quê? Passar de raspão na terrível possibilidade de lamentar num cemitério enxuga imediatamente qualquer lágrima provocada por serzinhos mais fúteis e falíveis. Se Deus libertou nossa família da tragédia de um acidente, por que eu iria me incomodar com um sapato apertado? Jamais! À sombra do muito pior, não deixarei que o melhor estrague o maravilhosamente bom. Se minha vida...

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Feliz

dez 21, 2012 by

Natal não é família. É lar. Família todo mundo tem, ou teve. Lar a gente sempre sonha. Encostando mais um final de ano acabei sendo levado pra pensamentos distantes. Não do passado, mas do futuro. Porque vendo como minha filha se aconchega em meus braços, penso como eu ficaria no colo de Deus...

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Parede Suja

dez 17, 2012 by

A tinta cor de pérola cuidadosamente pintada por este delegado-amador aqui segue limpa, clara e impecável, do teto até um metro do chão. Dali pra baixo, a cena se deforma. De riscos a rabiscos, passando por borrões e manchões, as inúmeras sujeiras de mãozinhas e dedinhos beiram uma textura artística digna de um galpão de ferro-velho. Soaria relaxo se não fosse uma obra-de-arte. Ao menos pra mim...

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Corda Bamba

nov 23, 2012 by

Minha filha agora já avista seus quatro anos. Com reflexos espertíssimos, nem de longe parece aquela que engatinhava no tapete. E como andar se tornou óbvio, pedalar foi seu próximo desafio. Lá fui eu, pai ludibriado, atrás de uma bicicleta tão rosa quanto encantada. Achei um sonho de fadas sobre duas rodas brancas com pingentes laminados no guidão. Uma carruagem da realeza apenas maculada pela buzina irritante que insiste em não quebrar!

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Quarto ao Lado

nov 15, 2012 by

Seja sincero, você já se pegou perguntando impacientemente onde é que estão os braços herculeanos dAquele capaz de pisar no Olimpo como se fosse mero formigueiro? Se Ele é o máximo então por que parece não dar a mínima? E cadê o mesmo Altíssimo ensopando lã em terra seca se não enxuga nem as lágrimas do meu travesseiro? Mais fé? Claro que sim, ela move montanhas. E se disser daqueles momentos de embrulhar o estômago quando até os montes parecem solapados por uma desorientação nauseante? Quem já não viveu uma verdadeira crise de credulidade ingênua esperando um filete de sol bloqueado por detrás de um firmamento tão espesso quanto ausente? É este silêncio do Céu que escancara meus gritos na Terra. Eu quero um toque na coxa, uma pincelada de sangue na porta...

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