Palhaço Ferido

jun 22, 2012 by

Palhaço Ferido

Pelo contrário, saltemos da maioria infame sem dó e ousemos como minoria reacionária do bem.

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Povinho estranho este tal de ser-humano, né? Adora ver o circo pegando fogo, mas quando um palhaço se machuca, todos ficam solidários. Já viu em funeral de político o que seus arqui-inimigos fazem? É só elogio com coroas de flores. E se um atleta sai de cena por invalidez? Lá vem a ladainha dos rivais valorizando quem não queriam ver pintado de ouro. Sem falar no submundo das celebridades: todos fazem vistas grossas pras estrelas orbitadas pelas drogas. Até quando uma se apaga de vez – daí, é todo mundo idolatrando.

Não é no mínimo estranho o quanto repetimos nossas incoerências? Lembra quando tinha briga na escola? Vai me dizer que você nunca se aproximou de uma “rinha de gente”? Mas se rolasse um braço quebrado, ou super-cilho jorrando sangue, não faltava ombro dando apoio. Décadas depois, a reprise acontece na grosseria banal dos desumanizados atletas de UFC. Todos babam enquanto as carnes se estraçalham aos socos e pontapés. Até alguém morrer dentro do octógono ou matar fora na esquina – o que acontece?  Conscientização geral da nação!

Ei! Posso amassar a bola vermelha do nariz? Que tal a gente parar de ser tão sinistro e maquiavélico? Degustar a desgraça alheia não é “até um certo limite”. É pra não ter, e acabou! Aquele bichinho peçonhento, dando corda na adrenalina maldosa que nos faz vibrar com escândalos e tombos alheios, na verdade, é o próprio maligno tomando posse da nossa alma. E pra este tipo subliminar de possessão qualquer exorcismo é mais difícil porque o mal parece hipnoticamente bonzinho. Enfim, ser humano se atrai por esbravejar ao pé da cruz.

Você acha isso absurdo demais? Então olhe o reflexo de “um tal” espelho seu. O que ele mostra? Disfarce, ironia, melindre, chantagem, indiferença, rivalidade, fofoca, insensibilidade e a lista se estenderia com o nariz do Pinóquio. Tudo isso de você? De mim também. Porque esta é a distorção maldita do Céu que o pecado despejou como herança sobre nós.

E dá pra se livrar disso? Ôpa, claro que sim! É só vivermos mais pela Graça do que pelo umbigo. Sem vermos no próximo uma atração de circo, mas um refém da infelicidade deste mundo. “Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7). Isto é, ou o cristianismo se contrapõe veemente à sedução da maldade, ou seremos uma religião irrelevante parecida à velha estátua numa praça servindo de pouso pra pombos.

Pelo contrário, saltemos da maioria infame sem dó e ousemos como minoria reacionária do bem. Abracemos mais quem sofre e vistamos o sapato do outro. Seus calos e lágrimas merecem a nossa compaixão. E suas lutas públicas carecem de uma esperança em particular. Somente então poderemos dormir nosso sono tranqüilo. Repousando a cabeça que fez a diferença pra sonhar de verdade com um Céu logo ali.

Enfim, vibre menos com os barracos da Revista Contigo e incorpore mais o Reino da Palavra de Deus. Você será mais feliz.

E alguém também.

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