A Rainha

fev 16, 2011 by

A Rainha

“Acredito que não exista sequer uma mulher na face da Terra sem o desígnio da superação”

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Mulher faz de tudo um pouco. E nem por pouco deixa de dar conta de tudo! Hoje eu entendo melhor porque no xadrez o “rei” pode até valer o jogo, mas só anda uma casa de cada vez. Já a “rainha” tem mais força e mobilidade do que todas as outras peças juntas. Sei lá quem inventou isso, mas acertou!

Outro dia, refletia com alguém sobre “uma alguém”, e concluímos o óbvio ignorado: o sexo feminino de frágil mesmo só tem os delicados cílios que emolduram seu olhar implacável. Porque elas estão lá, e sempre ali, como discretas fortalezas em seus indecifráveis rochedos. São constituídas de fibra de carbono com a doçura do alcaçuz. Algumas embalam seus filhos, outras também ninam seus maridos. “Aquela ali é mãe de dois!”, escutei sobre outra heroína cujo filho único dividia o berço com o próprio pai mimado (vergonha pra ele, Honra ao Mérito pra ela!).

Ou você nunca parou para analisar cientificamente a força incalculável de uma rainha, dama e lady? Desfilando graciosamente sufocada dentro de seus espartilhos emocionais? Digo isso porque elas sabem o quanto aperta e, mesmo assim, superam-se à custa do bem alheio. Tem “dama de aço” pra ser o arrimo da casa, tem “dama de água” pra hidratar a aridez do cônjuge, tem “dama de chumbo” como cofre financeiro do lar, tem “dama de pétala” trazendo frescor do romantismo esquecido, e até “dama de papel passado” exigindo o mínimo de um casamento sério pro máximo de carinho dado.

Lembro-me da cena presenciada no estacionamento do supermercado, na última terça-feira: a rainha de um lar descarregava o carrinho de sacolas, enquanto tinha um bebê preso às suas costas, e alertava sua irmãzinha mais velha a não se afastar do carro. “Coisa simples!” – diria quem vê a vida correndo desatento por ela. No entanto rara – pra quem admira a tarefa cumprida de um ser polivalente.

Hoje elas decidem, lideram, administram e põem projetos pra andar nos trilhos. São duras na queda, e fofas à primeira vista – mas quer se meter a negociar com elas uma exceção à regra? Inatingíveis! Feito tulipas negras no cume do Everest. Tudo bem que a cada 28 dias o mundo fica mais instável e, depois dos 50 anos, muito mais “acalorado” – mas, também, após 9 meses, tudo é desconsiderado perante o altar da maternidade. Se seus períodos biológicos são feitos de números, seu destino de heroína anônima é composto da sua singeleza à flor da pele.

Acredito que não exista sequer uma mulher na face da Terra sem o desígnio da superação. Geralmente pro bem e, raramente, o oposto. Tanto é que se ELE larga a família por uma aventureira de curvas mais jovens, nem jornal de condomínio publica. Mas se é ELA deixando sua cria às margens do rio, instantânea notícia mundial! Porque se ELES vacilarem, elas segurarão as pontas. Agora, se ELAS recuarem, quem é que organizará a geladeira? Por sabermos disso, ainda que entalado lá no subconsciente machista, inflamos certos egos iludidos de que a força bruta vale mais que a versatilidade eficaz. Engano tolo de quem perde aliadas na guerra kamikase da vida!

Já viu como a Bíblia também reconhece esta peça fundamental do tabuleiro? Depois de ter todas do mundo a seus pés, foi uma dama que pôs Salomão na linha – ou Cantares não mostra um conquistador muito bem conquistado? E a tal Débora com seu exército digno de uma guerreira maior que Joana d´Arc? Tem também Maria – aquela jovenzinha que parecia de nada, mas aceitou dar a luz ao Tudo. Gosto de pensar na rapidez decidida de Raabe, uma prostituta de moral em baixa, mas desejo de recuperação em alta. Admiro a sogra de Pedro, acredita? Ninguém sabe seu nome, nem se lembram muito dela, mas pra auxiliar sua filha a casar com um pescador rude, de temperamento sanguíneo, e cheio de oscilações emocionais, a mulher também era uma rainha! E Ester? A beleza inebriante de sua pele não intimidou a explosão de sua coragem inédita motivando a Salvadora do Povo arriscar sua vida pela atenção inesperada do rei. Percebe? Todas foram mulheres, coroadas de admiração em seu reinado feminino.

E quando o tabuleiro do coração fica sem rei? (Porque cavalo não serve, peão não encanta, e bispo não casa!) Surgem elas: as rainhas desacompanhadas na cama e que merecem dormir em paz consigo mesmas. Rejeito o termo “solidão” pra quem tem procurado, e não tem… sido encontrada! Se pra certos acéfalos por aí parece doença contagiosa, ser dona de seu próprio cetro real pode trazer consigo aventuras interessantes. Não digo agarrar o trabalho como tábua de salvação, nem mendigar complacência na sarjeta da auto-piedade travestida de ranzinagem. Falo de viajar, conhecer gente, curtir projetos, ser sociável e, acima de tudo, repousar seu tabuleiro no colo do Pai do Céu. Você pode escolher viver frustrada com uma escova-de-dentes só no copo, como pode descobrir intrigantes oportunidades de ter seu banheiro exclusivo. Isto depende da motivação sublime de saber que nos planos de Deus um dia, cedo ou tarde, tudo se encaixará perfeitamente. Sem contar que toda mulher é uma especialista soberana em usar a criatividade como alternativa a seu favor. Está vendo a vida passando? Passe a frente dela e trate de explorar novos horizontes ensolarados!

Enfim, ser pai de uma rainha e súdito de outra tem me ensinado muitas coisas capazes de deixar qualquer homem com seu machismo em colapso. Se uma mergulha feliz dentro da bacia, a outra corre incansável mais que na academia. Ambas me tornam minoria absoluta no planeta do nosso lar. E é incrível como adoro isso! Oscilo entre admiração e diversão, homem da casa e bobo da corte, o fortão pra trocar água do filtro e o inepto tentando trocar uma fralda às pressas. Por aí vai, elas dominando o tabuleiro inteiro, e eu valendo o jogo – mas de casa em casa. Somos felizes assim, porque Deus me fez para admirá-las: como “alguém que auxilie e corresponda” (Genesis 1:18 – NIV) Isso não é incrível? Da saudade solitária do homem Deus a fez mulher, e da versatilidade resistente divina Ele a fez rainha. Que elas prossigam incansáveis e inspiradoras. Que suas virtudes continuem admiráveis. E que a partida não acabe tão cedo. Pois neste tabuleiro as peças principais foram feitas para viverem juntas e cúmplices – sem perderem jamais.

Xeque Mate!

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