Caixa Preta – 1

jun 4, 2012 by

Caixa Preta – 1

Um amor apaixonante a dois não pode diminuir com outros amados chegando…

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Pronto. Decidi. Vou abrir a caixa-preta perigando revelar você. Se doer, desculpa aí! Minha intenção é discutir com carinho uma tragédia anunciada. Até porque ninguém fala disso – inclusive os bons maridos emudecidos pela fortaleza delas. E já que me encantei ainda mais com minha eterna namorada por me deixar escrever, quem sabe possa lhe ajudar.

Pronto? Mesmo? Então lá vai! Mulheres, por favor, tomem cuidado pra não se tornarem mães demais e esposas de menos. A maternidade lhes homenageia com uma coroa a mais e não pra substituir a outra. Aquela mesma que, ao invés de repousar na fronte, um dia enlaçou com uma aliança dourada o seu coração.

Calma, calma! Não me apedrejem com fraldas sujas, vidros de papinhas ou pedaços de brinquedos. Jamais deixarei de reconhecer a exigência sobre-humana cobrando o impossível de uma mãe exemplar. Nós homens nunca daríamos conta – e sabemos muito bem desta profecia impregnada no nosso DNA XY! A questão, na verdade, é apenas refletir sobre os tufões das responsabilidades caseiras pra se proteger da destruição matrimonial.

Vem cá! Por que depois da tão sonhada maternidade algumas divas-rainhas que “deram a luz” à vida acabam “apagando a vela” do quarto? Não digo os meses óbvios de dedicação total pras primeiras adaptações e intermináveis surpresas. Mas aquela perigosa acomodação feminina que rouba a super mulher da minha cama por causa da super mãe do berço ao lado. Sabia que, se não cuidar, o nascimento de uma preciosa criança pode provocar o envelhecimento de uma linda paixão? Será que o destino cruel é uma benção mais nova postular o lugar de outra benção mais antiga? Que tal desarmar a autodefesa – até compreensível – e encarar algumas sugestões?

- Conversem sinceramente. Um neném nos braços é um beijo de Deus. O problema é se ele se transformar numa mordaça da alma. Falar abertamente sobre as dificuldades, sobrecargas e angústias libertará sentimentos velados que podem se deformar em ameaçadores ressentimentos represados. Não deixem pra depois o que precisa ser dito agora – com jeitinho, mas diga!

- Rejeite o martírio. Mulher quando vira mãe recebe uma capa de super-heroína, e não uma corda de super-mártir! Não admita abrirem o cadafalso sob seus pés de titânio. Vocês são fortes, mas não são deusas. Ponham limites nos exageros que lhe escravizem a salvar o planeta da casa a ponto de perder o equilíbrio mundo afora. Auto-sacrifício exagerado – e não monitorado – pode ser tarde demais. Cuidado!

- Planeje a volta por cima. Lembre-se: ou você lidera sua vida ou ela arrasta você. O tempo é um algoz implacável com os procrastinadores. Se você não marcar datas e prazos pras mudanças, ajustes e projetos, a hipnotizante dança das carências infantis trairá você de você mesma! Já agendou a próxima consulta? E o regime ultra-saudável? Controle seu retorno!

- Não se acomode! Este é o maior vilão de todas as mães do planeta. O espelho é seu aliado, não seu delator. A auto-estima não pode se despedaçar junto às mamadeiras espalhadas no chão. Priorize seu bom-gosto que, inevitavelmente, seu maridão priorizará você. E isso não é chantagem machista – é uma lei sincera de ação-e-reação.

- Banho de loja. Pára tudo, já! Quantos milênios fazem que você não sai pra comprar um vestido novo ou uma lingerie especial? Como assim? Tudo agora é só pro neném? Sinal vermelho! Não se exclua das compras que provam que você está viva – e muito viva!

- Pele de bebezona. Ei, papo de homem pra mulher: não há bebezinho fofo no universo que substitua uma mulher de unhas feitas, cabelo bem arrumado e pêlos muito bem domados. Mil perdões pela franqueza, mas acredito que um salão de beleza é tão bem vindo quanto a admirável habilidade de embalar, nanar e amamentar.

- Largue o osso! Não faça da sua criança a âncora de sua existência. Sem perceber, algumas mulheres acabam dando vazão a uma possessão sem precedentes. Ser atenciosa, cuidadosa e mãe-coruja, é muito lindo! Mas, não admitir qualquer pessoa responsável ficar um segundinho com seu filhote pode apontar um extremo à vista. Além de dar um super tempo pra você, vai ajudar seu “pedacinho de gente” a se desenvolver longe da perigosa mimação.

- Ame-se. E ponto final. Nunca fez – nem fará! – parte dos planos de Deus pra você a extinção do amor-próprio sequestrada pelo amor-de-mãe. Ai, ai! Imagino como isso esfaqueará sua alma! Mas não é tão absurdo assim. Apenas lembre-se um pouco mais de você. Olhe um pouquinho mais pra você. Admire-se o quanto lhe admiram. Isso ajudará muito na garimpagem de uma “nova paixão” a dois – mesmo tendo “outros” pulando no seu colo.

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Doeu muito? Espero, sinceramente, que não! Quando olho minha esposa radiante e linda agradeço a Deus pelo aprendizado de ambos na jornada de nossa família feliz. Descobrimos que um lar maravilhoso que começou conosco tem que ficar cada vez melhor. E um amor apaixonante a dois não pode diminuir com outros amados chegando...

Vamos nessa! Reinventem-se e descubram suas próprias fórmulas de paixão adaptada. Valerá sempre a pena ser feliz cada vez mais.

(A propósito, agora será a vez delas abrirem a outra Caixa Preta! Aguardem, homens…)

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