ELAS Merecem!

ago 28, 2010 by

ELAS Merecem!

“Toda mulher foi esculpida pra sentir-se única, mesmo fazendo o papel de várias”

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Um dia entenderei como funciona a mente feminina, mas enquanto este dia não chega o negócio é admirá-la. Como pode? Deve existir algum dispositivo clonado da divindade dando a elas a capacidade da “pluralidade proativa de percepção pragmática do cotidiano”. (Captou? Queria filosofar um pouco…!) Aterrissando do devaneio, simplesmente é incrível como elas conseguem fazer um montão de coisas tudo ao mesmo tempo. Já percebeu? Discretas e poderosas as mulheres destilam tamanha habilidade de ações múltiplas que nos reduzem a meros mortais admiradores de sua força ateniense embrulhada em dons inquestionáveis. Elas conseguem, nós não!

Hoje acordei com vontade de honrar esta qualidade ímpar na minha esposa, que desfila soberana na passarela do meu mundo. Ao homenageá-la extasiado, repouso em paz na possibilidade justa de estender este reconhecimento a tantas outras por aí. (Podem se incluir, vocês merecem!) Pois acredito, cada vez mais, que toda mulher foi beijada por Deus pra sustentar em seu corpo de titânio responsabilidades tão imensas quanto incríveis: ser bela, ser mãe, ser forte, segura, companheira, divertida, educadora, profissional, caseira, decidida, prevenida e a lista seguiria implacável até a costa da Malásia. Mulher é um universo de nuances indecifráveis digna de uma obra de arte.

Escrevo enquanto minha heroína dorme – um sono profundo pelo cansaço, e supérfluo pelo estado de alerta. Desde que virei pai-coruja minha mulher se tornou mãe-absoluta. Malcolm Montgomery disse: “o nascimento da mãe é o mais importante” (Mulher, o Negro do Mundo, p. 155), por isso, quando a maternidade chega, o mecanismo feminino de sobrevivência sofre alterações instintivas inacreditáveis. Elas conseguem dar banho sem tomar banho, podem alimentar se alimentando, decifram um choro indecifrável, trabalham fora protegendo dentro, e ainda, como não bastasse, cuidam de si cuidando de nós, maridos, que não cuidamos de nós mesmos. “Agora embalo dois!” – ela disse uma vez, empurrando-me profundezas abaixo pra notar seu heroísmo. Não adianta, faço tudo pra ajudar, mesmo assim, às vezes atrapalho mais do que ajudo. É quando, num passe de mágica, ela se reveste de força sobre-humana pra dar conta do recado.

Outro dia, vivi a radiografia de um instante único: minha super-mulher tinha um olho no fogão com a papinha cozinhando, outro olho no bebê que espancava a mesa plástica, uma mão no controle remoto zapeando pro canal infantil, outra mão pra mamadeira de água rolando pelo chão, enquanto um pé puxava a cadeirinha infantil, outro pé fechava a porta do armário, ouvia pelo viva-voz a avó no celular, e ainda conseguia me enviar um “daqueles” sorrisos capazes de me fazer o homem mais bem-vindo do planeta ao voltar pra casa. Petrificado, encostei na parede tentando entender, encabulado: “como pode? Ela é humana, ou uma alienígena com poderes cósmicos?” Foi quando me despertou, saudando: “oi, amor! Chegou?! Beijo!” – ali estava a verdadeira rainha me obrigando a me prostrar em seu palácio real.

Mulheres. Ah! Como ganharíamos mais se perdêssemos mais. Explico melhor: se perdêssemos nossa indiferença, largássemos nossa pretensa onipotência e deixássemos pra trás nosso machismo arrogante, veríamos quanto valor existe nesta pessoa de garra polivalente e curvas estonteantes. Elas merecem nosso encantamento insistente, e deviam ser cortejadas feito misses – ainda mais, se coroadas pela maternidade. O que conseguem fazer simultaneamente é pra ocuparem o Guinness Book da capa à contracapa. Seus sentidos são bélicos: escutam ruídos ininteligíveis, o silêncio é um grito de alerta, distinguem o choro certo no meio de outros mil, sentem cheiros há quartos de distância e agem à velocidade da luz no perigo iminente. Tá louco! Uma mãe é um soldado de elite alvejando todos os alvos com extrema precisão.

Semana passada, voltei pra casa após quinze dias viajando. Doido de saudade da eterna-amiga-parceira, além dos souvenirs de sempre, presenteei-lhe com um “passe livre” de 90 minutos pra ela fazer seu exercício preferido correndo no parque. Ouvi uma sabatina de orientações e não gravei nenhuma. “Sou pai de uma filha maravilhosa. Dou conta do recado!” pensei prepotente. O que ocorreu, a seguir, foi a maior ginástica da minha vida. Duas semanas longe, e minha filhinha se transformara numa alucinante bola de basquete elétrica com energia descontrolada que nem Itaipu daria conta. Enquanto eu tirava meus blue-rays da banheira lá do quarto, reunia os controles do Wii “tele-transportados” pras panelas da cozinha. Os imãs de geladeira “fugiram” até o armário de azeite de oliva, e resgatei um sapato meu de dentro do vaso sanitário, que esqueci aberto – por não ter escutado a sabatina maternal. Dando água na mamadeira, já tinha que abrir o biscoito de maisena, foi quando notei o rastro no tapete da outra fralda cheia, misturado às migalhas de pão espalhadas em toda minha mala recém-aberta. Lembrei, tarde demais, que o chuveiro pro banho prometido continuava aberto e, ao pisar afobado no chão encharcado, ensopei minhas meias novas, e a barra da calça. Um barulho na sala espatifava outra cadeira no chão e, ao chegar, meu passaporte já estava na mesma boca desdentada cujos dedinhos espremiam meus óculos puxados da mesa. O celular sinalizava o chefe chamando, enquanto a TV “milagrosamente” ligou no volume máximo. Tropecei numa caneca que “escapou” pro meio do corredor, e já não dava mais pra impedir o “ser extraordinário” espremendo creme de barbear fuçado na bolsa de higiene. A incompetência do pai disparou nela o choro de saudade da mãe – foi quando caí na risada, tentando controlar o desespero de ser completamente tosco. Neste instante a porta abriu, e só me lembro de ter escutado “amor, e aí, como foi?”, pra cair exausto semi-acordado no tapete…, junto daquela fralda. (Tá rindo porque não foi você!)

Homens, ELAS merecem. E como merecem! Sempre mais do que temos reconhecido do lado de cá da nossa previsível civilização masculina, e nunca menos do que nossa humildade em apreciar as virtudes inimitáveis delas. Dar conta do recado é obra de especialistas dignas de remuneração milionária – ou, pelo menos, da mais alta compreensão da nossa parte quando os nervos ficam à flor da pele. Equalizar tantas cobranças da maternidade, dedicar-se à profissão de educar sério, administrar um corpo lindo colapsado pela gravidez, e ainda dar atenção a um marido-coruja que só faz uma coisa de cada vez, tudo isso – e muito mais – é a validação inquestionável do poder feminino que move o mundo. “Mulher virtuosa, quem a achará? (…) Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida” (Provérbios 31:10 e 12). Esta versatilidade camaleônica é prova irrefutável do tremendo plano exclusivo de Deus para uma mulher, mãe e esposa. Ela não pode vacilar diante das assombrações do dia-dia – nem ousar desacreditar no espetacular projeto de eternidade desenhado pelo Criador.

Enquanto isso, nós, pais-corujas, temos a obrigação de sermos machos o suficiente para proteger e defender nossa fêmea-multi-tarefas, e homens o bastante pra revestir de carinho a companheira preciosa que o Céu nos ofertou. Sei que temos muitas outras qualidades masculinas incomparáveis, mas fazer tudo ao mesmo tempo pra todos e em todos os lugares, me perdoem, isso é habilidade exclusiva delas. Agora, podemos aprender? Ô, se não… Claro que sim! Não é humilhante um pai querer ser um pouco melhor como mãe, nem vergonhoso um marido desenvolver a flexibilidade de uma esposa. Na estrada dos relacionamentos, todos nós crescemos amadurecendo juntos.

Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas” (Provérbios 31:29). Cada mulher foi esculpida para sentir-se única, mesmo fazendo o papel de várias. Sábios são aqueles que valorizam isso! Quando a pressão da luta pela vida invadir o coração masculino, espremendo nossa sensibilidade romântica contra um muro de compromissos, agendas e negócios, temos de ver que do “lado pink” também tem sangue, suor e lágrimas. Elas foram feitas completas porque estávamos incompletos, e achadas porque ficaríamos perdidos. “Disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Genesis 2:18).O Criador foi tão perfeito que pôs no homem a força de fazer bem uma coisa por vez, e fez dela a auxiliadora insubstituível pra tudo mais ser feito também.

Fica aqui meu conselho de “marido-coruja”: se ela merece, e você reconhece, deixe-a saber! Sob o avental de guerra ela precisa receber um elogio de paz. Os respingos de comida salpicados na roupa justificam um abraço carinhoso daquele “que sabe que não sabe”. Chegamos cansados do trabalho, eu sei, mas elas ficaram cansando no outro trabalho: ser mãe, ser tudo, ser sempre. E estes seres que mereceriam o Olimpo estão ali dividindo nosso mesmo lar. Sem dúvida, vale a pena engrandecer quem faz por merecer.

E ELAS merecem!

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