Pichadores de Alicerces

fev 1, 2011 by

Pichadores de Alicerces

“Firme sua vida norteado por princípios e não por principados”

Atenção!    Ñ fiq por aí se explicando de+ !    Seus amigos ñ precisam e os inimigos ñ acreditam”.

Ôpa, pára já! Recebo de tudo nos 140 caracteres do Twitter. São tantas notícias ultra-mega-imprescindíveis à vida – como a do fulano de tal que perdeu o elevador enquanto trancava a porta – que muitos tweets eu passo batido! Mas esta frase, à primeira vista megalomaníaca, saltou aos meus olhos. Sei lá quem twitou pra quem, que retwitou pra mim, só sei que alguém ganhou minha instantânea atenção – e reflexão.

11º. – DAR SATISFAÇÃO DE TUDO. Pronto! Desde que as regras da elegância coroaram este décimo primeiro mandamento da convivência, muitos vêm se escravizando ao viver mais pros outros do que para suas próprias convicções. É óbvio que o extremo oposto cheira ditadura arrogante, mas falar demais pra quem lhe quer de menos desvaloriza seu nível de segurança pessoal – que não deve, e não teme.

Quer algumas ilustrações? Você aterrissa entusiasmado na Imigração de um país que sonhava visitar. Do outro lado do vidro um oficial esnoba autoridade sem a menor paixão pelo que faz. Você se sente o Bobo da Corte no Carandirú. Vale a pena puxar papo cheio de explicações voluntárias? (Nem experimente, eu garanto!) Ou alguém em quem você não confiaria nem sua sogra levanta dúvidas à sua integridade com difamação, mereceria seu discurso em rede nacional implorando pra lavar sua alma? Ou ainda, uma decisão correta sua será impopular àqueles que se incomodam com sua popularidade. Explicar tudo? Corretíssimo e idôneo da sua parte. Conquistar todos falando demais? Pura utopia desperdiçando energia – e cansa!

Outro dia, eu explicava pra minha filha como rabiscar um caderno-mágico que dei pra ela. O papel branco tinha um reagente químico que, em contato com a canetinha de tinta invisível, revelava cores e formas geométricas. Incrível! Parecia um milagre cujo devoto mais encantado era o pai – e não a filha. Como ela ainda está na idade de comer a caneta ao invés de usá-la, acabei pintando quase tudo sem parar de falar: “Olha que bacana! Que presentão, hein? Você viu a mágica?!” Mas ela riscava do jeito errado e eu, impaciente, tomava o pincel de volta dando aula de Engenharia Estrutural a quem só queria admirar a Torre Eiffel. Em segundos, a garotinha jogou o caderno, largou-me falando sozinho, e me deu as costas atrás de um troço velho no canto: “A-búúú!”, que no idioma dela quer dizer “bola”. Eu retruquei: “não filha! Olha isso aqui, é importado!” Nada feito. Continuei ensinando as paredes. Foi quando a mãe, lá da cozinha, me lembrou: “amor, da próxima vez, explique menos e deixe ela fazer mais do jeito dela”. Fiquei com cara de nerd pós-gol entre as pernas! Ela tinha razão.

Que tal? Se falar demais cansa, sendo de si, irrita ainda mais. Pior se for pra mendigar admiração alheia. O mundo dos outros é tão diferente do seu que não vale a pena esperar reações admiradas para certas coisas – especialmente se você está certo com princípios imaculados a seu favor. Não é fácil se calar com uma capa colorida de sonhos reveladores, mas outros irmãos de José (aquele lá do Egito) perambulam por aí. É preciso prudência e auto-valorização, afinal, suas poderosas convicções são preciosas demais pra se reduzirem a esmolas na tentativa fútil de bajular gente surda só pensando em si mesma.

O mundo precisa de homens e mulheres que não se comprem nem se vendam”, escreveu Ellen White, uma grande educadora. Quais são suas fortes convicções? “Para que os seus corações (…) tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento” (Colossenses 2:2). E como você às comunica ao redor? Quando exageramos na vontade de falar, defender ou mudar todo mundo, perdemos – e sem volta – algo precioso escoando implacável pelos dedos: o tempo. E mais grave ainda é fazer as coisas com aquela obsessão por aprovação. Sabe o que descobri? Sempre que me desesperei agradando todo mundo, no final acabei desagradando quem menos merecia: eu mesmo.

Veja o exemplo de um Homem que revolucionou dois milênios após Ele. Jesus foi o maior especialista em falar tanto quanto calar. Num momento, Sua explicação durava horas até o povo se esquecer de comer. Em outro, ficava provocantemente quieto desnorteando o rei capaz de matá-Lo ou libertá-Lo. Sua missão era muito urgente para alertar as grandes massas, no entanto, preciosa demais pra desperdiçá-la nos circos cheios de leões. Seu legado, muitas vezes silencioso, superou o discurso fútil e conquistou o mundo carente de consistência. Por isso, não tenha medo de ser correto, nem insista falando com quem há muito parou de se interessar. “Fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 4:8.) E quer saber? Firme sua vida norteado por princípios e não por principados. Siga em frente com sabedoria – sem acanhamento.

Finalmente, não emudeça no panteão dos grandes poderosos, porém, também não ceda ao medo lhe precipitando declarações impensadas ou inseguras. Fomos feitos pra falar, mas criados para contemplar e se aquietar. “O que for prudente guardará então silêncio” (Amós 5:13). Isso não é Lei da Mordaça, mas, quem sabe, uma Regra de Ouro protegendo sua auto-estima saudável do desrespeito alheio. Outros lhe admirarão, e “aqueles outros” simplesmente desaparecerão das suas preocupações. Afinal, não existem por aí pichadores de alicerces. Pois ninguém chega lá – ninguém mexe lá! Seu caráter segue blindado pelos princípios que regem sua vida.

Que seus preciosos fundamentos continuem solidamente guardados. O futuro revelará!

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