Meu Imenso Mundinho

jul 27, 2010 by

Meu Imenso Mundinho

“Gosto de pensar no tamanho da proporção das coisas vistas pelos olhos de quem cuida”

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Sou pai de primeira viagem. Minha filha nem fez 2 meses e já conseguiu estremecer meus dias em Escala Richter 9. Virou minha rotina de cabeça pra baixo. E as noites também. Arregalo meus olhos suplicando ela fechar os dela por alguns preciosos momentos. Meu sono é controlado por sua vontade. Ela manda no horário. Eu obedeço. E o mais incrível? Estou loucamente apaixonado por ela.

O mundo aos olhos dela? É imenso. Olhe ao seu redor. Para ela, seu quarto é um país. O berço de verniz, sua mansão. Ir pra sala no carrinho é uma viagem internacional. A banheira virou piscina olímpica. Seu móbile de bichinhos no teto, um parque da Disney. Impressionante! Só isso é tudo o que ela tem. E só isso é tudo o que ela precisa. Um extraordinário mundo simples.

E aos meus olhos de pai? O mundão dela é um mundinho pra mim. Viajar entre quartos eu faço em cinco passos. Sua piscina tem 2 palmos com 15 litros. Seu berço-palácio montei com 12 parafusos. A Disney dela usa 2 pilhas alcalinas. E seu país particular tem 15 metros quadrados. O que para ela é enorme, para mim é de brinquedo. Sua estressante agenda de compromissos é decidir encher 8 fraldas diárias.  Ela tem muito pra fazer: dormir, chorar, mamar, chorar, banho, chorar, faltou assunto, chorar. Ela chora, eu sorrio. É claro, todo mundo dela é um mundico para o pai.

Gosto de pensar no tamanho da proporção das coisas vistas pelos olhos de quem cuida. A enorme dimensão da vida depende de quem está olhando. O que pra minha filha é imenso, pra mim é simples. O que para nós é um complicadíssimo mundão, para o Pai do Céu é só um mundinho. Um planeta incrível, único e importantíssimo. Mas uma miniatura para Deus.

É por isso que precisamos espernear menos e confiar mais. Minha filha não se preocupa se eu estou ou não lá. Ela apenas vive. O resto é comigo. Nós também podemos viver assim. O resto é com o Pai. Ele sempre está lá. Por isso, num estalo de dedos fez de Jericó muros de açúcar. Com um “psiu” amordaçou mares endemoninhados. Um único verbo arrancou Lázaro do impossível inimaginável. Incrível! Apenas para lembrar insistente a nós, Seus filhos: nosso imenso mundo é um mundinho para Ele. O que é um problemão para você vira um probleminha para a Onipotência. Se pra nós é uma batalha, para Deus não passa de um recreio.

Ok, acho que entendi. Mas…

E por que Ele nos deixa chorando? Acha engraçado me ver afogando dentro do balde? A resposta é tão complexa quanto simples. Porque o que para minha filha é um desesperador dia-a-dia, de descontrole das perninhas e bracinhos, tudo não passa dos seis primeiros meses de décadas de semestres pela frente. E o que para nós parece uma vida inteira de lágrimas e dores, para Aquele cujo nosso universo é só um mundinho, isso aqui são apenas “as primeiras coisas”. E o melhor de tudo? “As primeiras coisas já passaram e o mar já não existe” (Ap 21:4). Se Ele diz que deletará do mundo “todo luto, pranto e dor”, pode acreditar. A complexidade humana se dilui na praticidade do poder divino. Pra você é lá, mas para Ele é ali. Simples assim. Deus é Deus quando beiramos nossos limites. Sangrou na cruz para tornar tudo aquém da salvação coisa de menor importância.

Da próxima vez, aprenda a lição do imenso mundinho. Deixe o pai ser o Pai. Confie nos braços de Quem tem a visão do todo. Ele sempre estará lá. Ou melhor, ali.

Enfim, viva como a minha filha. Só que sem as fraldas.