Pai Coruja

jul 27, 2010 by

Pai Coruja

Ser pai é preencher na alma um imenso vazio que eu nem sabia que estava lá.

 .

Ser pai. Ser homem.

Super pai versus homem de verdade.

Não admito a idéia de exclusividade: você OU é isso, OU aquilo.

Por aí afora, tem gente afirmando que testosterona não admite refluxo, e ser verdadeiramente macho é o oposto de ser assumidamente babão.

Sei lá, sabe, parece que no universo dos bíceps anabolizados a musculação da troca das fraldas é inadmissível, e um risco de pomada anti-assadura no blazer a sumária demissão do planeta dos homens.

Será?

Por isso, existe este blog: um espaço virtual para os brutamontes do mundo real que também curtem canções de ninar. Aqui está um timaço de jogadores camaleônicos fechando grandes negócios de dia e tentando embalar um berço de noite.

Se você tem falta de tempo, mas sobra de vergonha, deixa de ser tolo e venha ser pai pra valer. Porque os anos escapam rápidos e os afobados fazem fila lá na frente, arrependidos. São os frustrados pois a vida passou, o leite derramou, e não viveram como herois das sonolentas historinhas de dormir.

Prefiro ser um astro no berço deles que um solitário no mundo dos espertos. Acredito no machismo que se prostra perante a paternidade. Aprendi isso quando minha vida virou de cabeça pro ar meses atrás. Minha filha é um sonho bom do qual não quero acordar. Pode anotar, uma vidinha embalada nos meus braços vale muito mais que sua vida agarrando os braços de todas as mulheres por aí. Este espaço aqui é pra gente parar de ser garanhão de chumbo e se aventurar na fragilidade do estonteante sorriso banguelo.

Porque as coisas mais lindas da vida não são coisas, nem pessoas – são as boas lembranças. E isso afrouxou meu nó de gravata e me obrigou a largar o notebook no carro antes de entrar no País das Maravilhas de casa. É aquele movimento desordenado de braços e pernas dentro do berço que tem, ultimamente, orientado minha busca por felicidade.

Sou pai, sim. E homem também, tá pensando o quê? Mas quero rir, chorar, fazer papel de bobo, levar dedada nos óculos de sol, engatinhar de terno Armani e morrer de ciúmes com seu namorado. Vou brincar de esconde-esconde, aplaudir suas conquistas simples, aprender o idioma do “adáh-dáh-dês”  e enlouquecer com seu desenvolvimento alucinado.

Tudo passa muito rápido. E sendo pai, socorro, turbinaram com aditivo o relógio da vida! Por isso descobri que ser pai é morrer de saudade.  É verdade! Já ficou tudo diferente no seu mundinho antes mesmo da próxima troca da minha gilete. O controle do mundo previsível fugiu do meu controle. Isso me assusta, me desconcentra. Pior ainda, quando eu menos esperar, já estará lá: a maravilha da vida eternizada só em imagens de papel, arquivos digitais, ou nas memórias impagáveis.

Que isto sirva de alerta: se eu não curtir agora cada segundo de graça, vou amargar depois na sarjeta da desgraça – quando a saudade reivindicar boas recordações e eu não achar nada para matar a fome do coração.

Não vou deixar isso acontecer! Explorarei o momento presente como um presente multimilionário.

Quero ser o melhor pai que posso. Quero ter o melhor filho do mundo. Por isso vou tentar ser o melhor amigo do seu mundo.

Não vai ser fácil. Nem pensar! Mas valerá a pena, e vou tentar…

(Opa, ela já está chorando de novo e é minha vez de ir lá…)

Seja bem vindo!

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