Favor Fechar a Boca

abr 27, 2012 by

Favor Fechar a Boca

Aprenda silenciar os lábios enquanto seu coração grita pra Quem merece.

 

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Eu sou muito falante. Sempre fui. De matraca desgoelada a trombone deliquente, já me chamaram de tudo! E como a vida foi pesando nos ombros, acabei falando menos. Mas falta muito pra apertar o botão MUTE quando injustiças atiçam minha caixa acústica.

O mais incrível? Minha filha é ainda mais falante, acredita? Pelo jeito, sempre será. Seu corpinho de três anos engoliu 20 bumbos capazes de soar o maior panelaço da humanidade. Se ela desembesta a falar – pegue uma espuma de ouvido! – senão, certamente, você vai pirar. Até quando ela aprender por si mesma as duras lições que seu paizão aqui também recebeu.

Então, por que temos mais forças pra dominar os bíceps do que pra segurar a língua? Na verdade, o grande problema do ser humano não é falar demais, e sim, pensar de menos. Se pudéssemos antever a devastação de certas palavras na ebulição das emoções, todos nós abaixaríamos o volume. Não porque é proibido falar, mas porque é sensato esperar. E exatamente aí é que reside a origem do ruído – desafinando a prudência na impaciência.

A primeira birra da minha filhota foi histórica – pra não dizer desastrosa. Ela não controlava os gritos, enquanto eu não me livrava dos mitos. Sabe aqueles do tipo “seja duro, não se acovarde, ou fique macho”? Pois é, levei um olééé de uma criança fora de si que me fez parecer ter quatro anos de idade. De tão patético que fui, virei a noite inteira lendo, orando, re-aprendendo e garimpando sabedoria. Sabe o que descobri? Não adianta lutar contra a adrenalina infantil. Assim como não se cala um vulcão com tampa de bueiro, é preciso dar tempo ao que está fora do tempo. Na explosão seguinte, abracei-a bem firme, esperando milênios até que seus ouvidinhos voltassem a escutar. Conversamos, oramos juntos, chorei na alma, e ela disse: “papai, num quélo mais fazê cosa fêa, tá?”. Daí, chorei também nos olhos…

O curioso é que nós, os “crianções”, também temos crises de birra, certo? Não aceitamos respostas negativas, não suportamos perder posições, nem admitimos largar os brinquedinhos. É claro que os brinquedos crescem para um carro novo, casa maior, uma mulher-troféu pra exibir, o sucesso digno de um fã clube – vixe! – a lista é grande. E quando os sonhos se desgovernam da realidade, nem bomba atômica parece defender tanto quanto a garganta. Falamos sem pensar piorando o que já estava ruim – ainda que só percebamos o estrago tempos depois.

Posso lhe dizer algo que “tento escutar” pra mim mesmo? Aprenda silenciar os lábios enquanto seu coração grita pra Quem merece. Sindicalizar, reivindicar, polemizar e armar barracos podem até anestesiar o ego, só que não curam a falta de paz. Não defendo a covardia apática, mas também não me alio às palavras perturbadoras das tribunas em que só Deus pode discursar. Se Ele sabe tudo mais do que todos, que faça o quanto antes aquilo que eu nem imagino. E isso só depende do meu silêncio – tão difícil de conquistar como a confiança nEle é capaz de solucionar.

Quando o sangue subir pra cabeça – e a razão descer pro pé – troque o nó indigesto no pescoço por uma olhada de relance lá pra cima. O mais incrível? O Pai do Céu escutará ainda melhor se o seu sentimento berrar mais do que a boca. Ele jamais desconsiderará as palavras sinceras – até mesmo erradas – de uma vida frágil querendo acertar. E nenhum ser vivo no Universo roubará de você o direito de falar o que quiser – e quando quiser – com o Único Ser divino capaz de lhe ouvir. Nem pais, nem filhos, nem cônjuge, muito menos conhecidos, entenderão “certos desabafos” parecidos com os da minha filha. Afinal, o que pro mundo pode soar birra, pra Deus é um pedido de socorro.

E quando Ele chegar perto, talvez não fale nada – apenas lhe abrace apertado envolvendo seu corpo em Suas mãos cicatrizadas. O tempo passará, as intenções injustas se revelarão, o sol varrerá as nuvens pra longe, até que – finalmente – você consiga enxergar com calma o melhor que estará sempre bem ali adiante. Graças ao incontável amor deste Criador apaixonado pela sua felicidade.

Acredita nisso? Então, que tal acreditar ainda mais e matraquear menos? Shhhhhhhh…

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