Meia Lua

mai 26, 2012 by

Meia Lua

O inimaginável só existe até que alguém ouse imaginar.

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Minha filha despontava no topo do escorregador feito bailarina surgindo no palco. Erguendo seus bracinhos pela oitava vez pra descer tubo abaixo, subitamente parou e olhou pra cima. O suspense de uma pausa silenciosa parecia antever seu ato magistral. Suspirou como se engolisse todo ar do planeta, e gritou: “hã! Nossa! Olha pai, olha lá!”. Desviei meus olhos pro céu estrelado esperando um meteoro do tamanho do susto. E ela escancarou sua descoberta fantástica: “olha pai! Alguém mordeu a lua!”. Com seu rostinho de anjo esperou minha aprovação de fã. Colapsei em risos implorando que o tempo congelasse esta fase encantadora.

Sem discussão, crianças vêem aquilo que todo mundo vê, mas descobrem coisas que ninguém jamais teria visto. São imperadoras do reino de sua própria imaginação. Fazem associações tão geniais quanto inesperadas. E implodem nossos paradigmas de concreto com seus fascinantes castelinhos de areia. Não é incrível? Saborear até mesmo um pedaço da lua?

É exatamente por isso que os pequeninos são ilustres convidados pra festa real no palácio dos Céus. Recebem o convite das mãos do Anfitrião Universal e com acesso irrestrito à área VIP! “Por que deles é o Reino de Deus” (Mc 10:14), não foi o que o Príncipe avisou aos súditos? Isso porque, infelizmente, as crianças nascem com um dom genuíno que se dilui pelos anos sob nossas máscaras falsificadas. E o Supremo Dono de todos nós dá um alerta geral: ninguém adentrará a eternidade que tão poucos pensam se pensarem como todo mundo por aí.

Quem disse que Céu não existe? E por que não pode haver um Anjo da Guarda ao lado de cada um? Sabia que uma nuvenzinha trará de volta o Senhor com seus bilhões de guardiões celestiais? E que aquela voz incomodante é o Espírito Santo berrando à sua consciência? Ei! Aquela cruz repugnante não foi pra salvar a humanidade? Quem disse que milagres não existem? Ou que você não pode ser genuinamente mais feliz?

Chegou a hora de ver com um olhar crédulo de criança o mundo incrédulo dos adultos. Pois a pior cegueira é aquela que enrijece a alma, deixando-a sem alternativas ou intervenções surpreendentes. Reinventemos nossas expectativas longínquas através do telescópio da fé. Se enxergarmos a vida visível como tantos céticos perambulam suas insônias, perderemos de vista a poção mágica da esperança. E sem ela não seremos nada, nem nunca, muito menos em qualquer lugar. Afinal, somente com Deus é possível arriscar o impossível – ainda que isso só pareça se encaixar num intrigante coração infantil.

Pronto pra imaginar se alguém mordeu a lua? Ou, melhor ainda, preparado pra levitar inexplicavelmente sobre os planos da Onipotência? O inimaginável só existe até que alguém ouse imaginar. Enquanto você vir o que ninguém mais vê fará coisas impensáveis ao mundo dos mortais. Moverá montanhas, regará desertos e pisará nas águas. Além de experimentar uma plenitude de espírito tão grande cuja felicidade visível desnorteará os habitantes da “Terra do Ver pra Depois Crer”.

O sabor delicioso disso – Deus garante! – será ainda melhor que a lambiscada numa estrela.

Pegue o guardanapo.

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