O GPS e a Verdade

jul 27, 2010 by

O GPS e a Verdade

“Não foi fácil ser um Cristo absoluto respirando poeira neste mundo de coisas relativas”

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Nossa viagem de férias realizou um sonho. Após anos de economia, finalmente quebramos o “porquinho” – nosso cofre particular para sonhos em família. Eu sabia que precisava sair, e minha esposa sabia aonde queria ir. Ajuntamos as duas coisas. Alemanha! Para ela, seria conhecer o país de onde vieram os avós. Para mim, dirigir nas rodovias germânicas sem limite de velocidade.

Ela arrumou as malas. Eu fiz o roteiro. Dirigir 4 mil quilômetros em 12 dias não permitiria erros nas estradas – para isso, nada melhor que um poderoso GPS. O último destino escolhido não foi, por acaso, o mais romântico de todos. Um castelo encravado no topo da montanha: Neuschwanstein, em Füssen, que significa “cisne de pedra”. Um palácio em forma de presente dado por um rei apaixonado pela esposa. Tamanho espetáculo inspirou Walt Disney com seu castelo da Cinderela. Um conto de fadas que estávamos a poucas horas de experimentar.

Enchi o tanque. Arrumei o porta-malas. Disfarcei o orgulho de um roteiro sem erros. Digitei no GPS mais um destino certo: F U S S E N. Simples assim. A profecia do equipamento, guardião dos perdidos nas rodovias, apontava 350 quilômetros dali – em 4 horas. Tudo sob controle. Oramos pra sair. Pisei no acelerador. Felizes, imaginei o pôr-do-sol chegando às montanhas do Peter Pan.

O tempo passou. A região das montanhas também. Estranhei a planície pela frente. Com o sol encostando o horizonte chequei a distância final: 50 quilômetros.

- Amor! – despertou o sexto sentido feminino – Será que é por aqui? Cadê as montanhas?

Disfarcei minha dúvida masculina. Conferi o GPS, tudo certo. “Deve aparecer de repente”, incrível como nós, homens, preferimos um papel ridículo a dar o braço a torcer. Se até ali o navegador tinha acertado todas, por que haveria de errar na melhor parte? Continuei mais 40 quilômetros.

- Querido, já anoiteceu e não tem montanha nenhuma…

- Vamos continuar, baby – meu papel ridículo alcançou a Lua – já chegamos até aqui, vamos ver onde vai dar.

Faltavam 500 metros. Uma estrada secundária apontava para uma encruzilhada. A noite parecia uma venda nos olhos depois do alcance dos faróis. O sinal sonoro do GPS agora apontava 50 metros do destino. Reduzi a marcha, colei a cara no pára-brisa, o coração acelerou acompanhando a garganta seca. Ouço o pior tão esperado: “Chegou ao seu destino”, a voz digital de aeroporto conclui o serviço do navegador. O silêncio domina o interior do carro. Parece fazer eco ao silêncio maior de fora. Desligo o carro. Nada. O farol alto ilumina uma plaquinha envelhecida pelo tempo: FUSSEN. Atrás dela, uma cerca protege um estábulo (como se o burro-velho acabasse de chegar ao lugar certo!).

A dúvida descontrolada se mistura à busca pelo controle do medo. Estamos sozinhos e no meio do nada. Um sentimento de pânico ronda a porta do carro. Decidimos não deixá-lo entrar. Mas, o que aconteceu?

- Amor, você tem certeza absoluta que digitou certo? Típica pergunta feminina que nos projeta à beira do abismo.

Pego o GPS nas mãos, re-digito novamente. A resposta é a mesma. É aqui! Embora não tenhamos a menor idéia de onde estamos, nem para onde vamos. A insistência feminina continua.

- Digite novamente, amor – a cortesia disfarça a impaciência.

F-U-S-S-E-N. Está lá na tela, e é aqui. Não há erro algum. Mas, então, vem a pergunta que me lança do despenhadeiro.

- Querido, você pôs o trema?

Silêncio que dura um milênio. “Que trema?” Ela pega o papel da internet e comprova: Füssen. O braço masculino ainda continua intorcível. “Não creio que isso faça diferença”, penso alto e lentamente torço para não acontecer o pior do pior.

F-Ü-S-S-E-N. O navegador pede tempo para a busca. Cinco segundos se passam, e o cristal líquido acende vibrante apontando o “novo” destino: Füssen, 715 quilômetros dali. No rodapé da tela pisca a cruel dica turística: local do castelo que inspirou Walt Disney. Caiu a ficha. Não apenas paramos noutro lugar, mas simplesmente, fomos na direção perfeitamente oposta do conto de fadas. Eram 19 horas, em pleno inverno europeu. Hora de começar tudo de novo. Só mais 9 horas de estrada noturna. Com hotel já pago, a alternativa foi dirigir quietinho, com medo de apanhar…

Prometo para você uma coisa: nunca mais! Nunca mais deixei de levar a sério os benditos e malditos tremas. Benditos, porque no sobrenome germânico da minha filha tem dois: Krähenbühl. Malditos, porque depois do susto pago, com uma vigília sobre quatro rodas, vira e mexe uma esposa amada tortura minha dignidade: leve a sério os tremas, amor!

Encontrar um defeito no GPS é muito mais difícil do que achar um homem distraído. É fácil culpar o navegador, difícil é começar a viagem na maneira certa. Geralmente não temos paciência para mínimos detalhes. Pra quê trema? É tudo igual. Racionalizamos os pequenos acentos e pomos o pé na estrada. Até sermos confrontados com o engano em dimensões globais. Somente dois pontinhos, mas que diferem um conto de fadas de um estábulo.

Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). O GPS promete resultado.

Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante que a espada de dois gumes” (Hb 4:12). O GPS é preciso e infalível. Mas, cuidado, com ele não se brinca.

Lâmpada para os meus pés e a tua palavra é luz para os meus caminhos” (Sl 119:105). Pare de se perder e confie no mapa de uma vez por todas.

Cada vez mais o pêndulo deste planeta se inclina para uma busca desenfreada pela verdade. Um bilhão e meio de internautas navegam ensandecidos mergulhando em mares virtuais à procura de soluções reais. Todos querem saber. Todos merecem descobrir. A mente humana é beliscada com ganchos conceituais ligados a cordas de tendências puxando cada uma para o seu lado. Ficamos desnorteados com isso. Não é fácil seguir princípios enquanto imensos painéis de leds prometem verdades sem trema.

Você não é o único a buscar algo mais. Todos querem e precisam, mas nem todos percebem e acentuam certo. A relatividade cultural desculpa os atos mais desobedientes. Planos divinos são questionados com famosas expressões como “quase”, “talvez”, ou “veja bem”. Para quê censurar esta música? O autor tinha as melhores intenções. Lá vai um trema. Por que esperar o casamento? A fila anda e eu aqui com hormônios criando teia. Lá se vai mais um trema. Sonegar impostos? Palavra absurda para quem só quer fazer justiça com um governo injusto. Outro trema. Ter um dia de guarda? Todos podem ser guardados. Os Dez Mandamentos foram escritos com o dedo de Deus, eu sei, mas se fosse hoje Ele clicaria diferente. Olha o trema! Perdoar meu inimigo? Ora essa, depois do que aquele sujeito imperdoável me fez, até Deus perdoará minha falta de perdão. ( ¨ ) Não preciso ir à igreja, afinal tenho minha igreja dentro de mim. ( ¨ ) Pra quê complicar e se comprometer demais, morar junto tantos anos vale mais que o papel passado. ( ¨ ) E por aí afora, ou melhor, cada vez mais para fora ( ¨ )… ( ¨ )…

Acredito que o mundo pode tentar achar o caminho. E são muitos. Mas também acredito que nenhum caminho estará certo até deixar-se guiar pela Palavra. Você tem o direito de percorrer o evolucionismo, materialismo, hedonismo e tantos outros “ismos”. Mas para isso, desligue o GPS divino. A Bíblia jamais lhe conduzirá por ali. O navegador do Céu é o livro mais vendido de todas as eras, mas os viajantes preferem arriscar sozinhos. Outros até ligam o “power”, mas preferem alterar acentos e pequenas sílabas. Tome cuidado. O erro continua o mesmo.

Em verdade vos digo que até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5:18) Não foi fácil ser um Cristo absoluto respirando poeira neste mundo de coisas relativas. Mas Ele fugiu do “veja bem” e reforçou com sangue o fundamento da Palavra. Jamais desconsiderou o trema no navegador bíblico. Incrível como o único Ser com direito de mudar as coisas, não somente obedeceu, como também provou como é bom obedecer. Creio na verdade libertadora. Aprendi que um acento muda tudo. Não apenas no alemão, mas no dia-a-dia das minhas escolhas.

Da próxima vez, antes de ir aos gurus com seus navegadores desligados, ajoelhe-se humildemente diante daquele que tudo vê. Vale a pena acertar o caminho. Vale mais a pena viver eternamente ao lado da personificação da Verdade. Melhor ainda, é colher por aqui as bênçãos incríveis de obedecer a Palavra de Deus. Sua perfeição não admite que ousemos mudar uma letra sequer. O plano da salvação, fundamentado no perdão, não aceita a alteração nem de uma vírgula. Muito menos um trema. Valerá a pena. Sempre.

Ou você prefere estacionar no estábulo?

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