Corda Bamba

nov 23, 2012 by

Minha filha agora já avista seus quatro anos. Com reflexos espertíssimos, nem de longe parece aquela que engatinhava no tapete. E como andar se tornou óbvio, pedalar foi seu próximo desafio. Lá fui eu, pai ludibriado, atrás de uma bicicleta tão rosa quanto encantada. Achei um sonho de fadas sobre duas rodas brancas com pingentes laminados no guidão. Uma carruagem da realeza apenas maculada pela buzina irritante que insiste em não quebrar!

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Quarto ao Lado

nov 15, 2012 by

Seja sincero, você já se pegou perguntando impacientemente onde é que estão os braços herculeanos dAquele capaz de pisar no Olimpo como se fosse mero formigueiro? Se Ele é o máximo então por que parece não dar a mínima? E cadê o mesmo Altíssimo ensopando lã em terra seca se não enxuga nem as lágrimas do meu travesseiro? Mais fé? Claro que sim, ela move montanhas. E se disser daqueles momentos de embrulhar o estômago quando até os montes parecem solapados por uma desorientação nauseante? Quem já não viveu uma verdadeira crise de credulidade ingênua esperando um filete de sol bloqueado por detrás de um firmamento tão espesso quanto ausente? É este silêncio do Céu que escancara meus gritos na Terra. Eu quero um toque na coxa, uma pincelada de sangue na porta...

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Confessionário

mai 18, 2012 by

Orar é a coisa mais fácil do mundo – também a mais difícil. Até porque todo ser que é humano adora conversar, mas repudia falar sozinho. E se a regra básica da comunicação é que qualquer bate-papo exige ao menos duas pessoas interagindo, alguém aí curte se expressar no vazio? De que vale um confessionário disponível sem absolutamente ninguém do lado de lá? Já tem muito bobo no mundo pra fazermos o papel de mais um! Êpa, mas calma! Não rotule sem espiar o conteúdo...

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Saída de Emergência

nov 26, 2010 by

4:14 AM. E cá estou eu, sonhando em dormir com os olhos bem abertos. Se as minhas pálpebras ardem, a mente viaja: já viu como a coisa mais incrível da paternidade é a capacidade inexplicável de sobrevivermos a limites cada vez mais prolongados? Somos como um elástico prestes a arrebentar, mas sempre conseguindo esticar um pouquinho mais...

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